Uma matéria no Fantástico de ontem de suposta divulgação científica falou sobre uma tecnologia de "leitura de mentes" que está sendo desenvolvida por pesquisadores nos Estados Unidos e no Japão. Você pode ver a matéria em:
Temos que ter muito cuidado com as informações que a grande mídia passa para o povão. Há uma tendência em simplificar para o povão entender, mas nessa simplificação acabam reduzindo as informações e às vezes perdendo detalhes importantes. Sem dúvida eles poderiam contratar alguém para explicar de uma forma que todos pudessem entender, assim como têm verba para contratar especialistas em vários assuntos, como as consultorias sobre agronomia (vide Globo Rural), ecologia (vide Globo Ecologia) e direito (vide caso Isabella Nardoni), por exemplo. Enfim... No caso desta reportagem, apareceram afirmações como
"[os pesquisadores] acreditam que em pouco tempo vai haver um leitor de mentes que funcionaria à distância, decodificando o que passa pela cabeça de qualquer pessoa, seja para o bem ou para o mal"
Eles até admitiram que "a leitura de mente é um experimento embrionário", mas não enfatizaram que aquele quadradinho que o computador identificou como sendo a imagem que a pessoa viu na máquina de ressonância magnética estava muito borrado e só apareceu como quadrado em apenas um momento da "leitura da mente" pelo computador. Isso sem contar que um quadrado branco em um fundo preto é uma figura extremamente simples, mesmo se comparado à senha que foi sugerida ser lida em breve por espiões na ficção da reportagem. Imagine a diferença da "leitura" de um quadrado comparada à de um rosto, uma paisagem, ou imagens em sequência, como sonhos!
Outro problema foi que, nesse mesmo exemplo do espião, há a "leitura da mente" de uma pessoa "desconhecida" para o computador do espião. Na pesquisa, segundo a mesma reportagem (não li a pesquisa na fonte), estuda-se a ativação de áreas do cérebro do participante para, a partir daí, quando essas áreas são ativadas novamente, poder inferir que o participante está pensando novamente naquela mesma informação inicial (quadrado, palavra etc.). É pouco provável que o espião tenha pedido para a agente secreta (antes dele tentar obter a senha) que ela olhasse para vários números para ele encontrar no cérebro dela as áreas que se ativavam correspondendo a cada número, concorda?
Não tenho dúvidas que os pesquisadores vão considerar isso em suas conclusões, mas isso não foi passado nessa reportagem. É preciso ter calma com os avanços desse tipo de tecnologia, afinal nossos cérebros são máquinas bastante complicadas e para um cérebro de um pesquisador tentar entender, não é tão fácil assim. Como diria um quadro antigo do próprio Fantástico: "estamos de olho!!!"
[Crédito da imagem: http://foconatv.blogspot.com/2008_02_01_archive.html]




