sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Papai, achei um fóssil!"




Foi encontrado por Matthew, filho do antropólogo Lee Berger (Richard Leakey começou assim!) em 2008 na África do Sul um fóssil de hominídeo chamado Australopithecus sediba (sediba significa "fonte" em uma língua local) e já chegou causando polêmica. O artigo foi publicado na edição de hoje da revista Science. Dois indivíduos quase completos (um macho jovem e uma fêmea) estavam em uma caverna no norte de Johannesburgo, foram datados de 2 milhões de anos e por enquanto entraram no gênero Australopithecus, mas alguns questionam se a descoberta não deveria ser classificada pelo nome de Homo ancestor (um nome já reservado para o "elo perdido" entre autralopitecos e humanos) pelas suas características intermediárias entre os dois gêneros. Há dúvidas se ele seria um ancestral direto da nossa linhagem ou se seria de um ramo sul africano. E o que dá mais confusão é que os mais antigos do gênero Homo (Homo habilis e Homo rudolfensis) são datados de 2,3 milhões de anos e também há debates se estes não deveriam ser classificados como australopitecos. Essa discussão ainda vai render.


Muitos aproveitam esses momentos para dizer que a teoria da evolução não é firme e toda hora essas coisas mudam. Vale lembrar que a Ciência é assim mesmo, tudo que se descobre ou se entende um pouco mais é assim até que se prove o contrário. Os fósseis hominídeos são bastante raros porque (ainda bem) que nossos ancestrais eram mais espertos que muitos outros animais e não caíam tão facilmente em "armadilhas naturais" que levam ao também raro processo de fossilização. Com isso, muitas espécies de transição provavelmente nunca serão encontradas e sempre vão ficar faltando algumas peças no quebra-cabeça da nossa história. Pudemos ver essas reformulações da nossa árvore genealógica quando descobriram o Homo floresiensis (também chamado de "hobbit") e o Ardipithecus ramidus ("Ardi") e é assim mesmo: vamos encaixando o que descobrimos para entender melhor nossas origens.


[Crédito da primeira e da terceira imagens: revista Science, vol 328, 9 abr 2010]

[Crédito da segunda imagem: http://www.nytimes.com/2010/04/09/science/09fossil.html?src=mv]

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